AS PULGAS

As pulgas são os parasitas externos mais comuns do cão e do gato, causando-lhes inúmeros incómodos e também aos seus donos. As causas destas infestações, por vezes maciças, são várias, contribuindo o facto de o número de animais de companhia estar em permanente crescimento, o aquecimento dos lares e habitações ser constante, o controlo das pulgas ser difícil e quase sempre resumindo-se apenas ao cão e gato, desleixando-se o controlo do meio ambiente onde o desenvolvimento das pulgas tem lugar.

Estes insectos, alimentam-se de sangue na sua forma adulta, podem chegar aos 3,5mm e são achatados lateralmente.

 

QUAL O CICLO DE VIDA DAS PULGAS?

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As pulgas adultas ingerem no seu hospedeiro, cão ou gato, quantidades de sangue 10 a 20 vezes o volume do seu estômago, excretando logo de seguida, fezes avermelhadas, que podem ser encontradas no pêlo e pele dos cães e gatos (pequenos pontos castanho-avermelhados), indiciando a presença destes parasitas.

Cada pulga pode produzir mais de 100 ovos por dia. Uma única pulga pode produzir 2000 ovos durante a sua vida!

Estes ovos caiem do pêlo do animal disseminando-se pelo solo. Aproximadamente entre 1 a 10 dias após a postura, consoante as condições climáticas do ambiente, eclodem larvas com 2mm de comprimento, que se alojam nos soalhos, fendas do chão, cobertores dos animais…estas larvas alimentam-se principalmente das fezes sanguinolentas provenientes das pulgas adultas (estas fezes são bem visíveis na pele e pêlo dos animais, sob a forma de pequenos pontos acastanhados e são uma prova evidente da presença das pulgas nos animais). As larvas sofrem depois 2 mudas (metamorfoses) num período de 5 a 14 dias até darem origem a larvas de 5mm de comprimento que tecem casulos e se transformam em ninfas. Em presença de certos estímulos exteriores tais como um aumento da pressão, calor e aumento da concentração de dióxido de carbono, a pulga abandonará o casulo. Estas condições ocorrem, por exemplo, quando os cães ou os seus proprietários pisam os soalhos ou tapetes infestados de parasitas. Esta é a justificação pela qual os cães ou as pessoas se podem infestar ao entrar numa sala que não tenha sido usada por longos períodos, como é o caso do período pós-férias. Na ausência destes estímulos a pulga adulta pode permanecer dentro do casulo até 140 dias. Estimulada pelo calor e movimento de um cão, gato ou homem, a pulga salta para o hospedeiro, reiniciando todo o ciclo biológico. As pulgas podem sobreviver durante 15 dias sem se alimentarem de sangue, até encontrarem um hospedeiro. Em suma, o ciclo de vida de uma pulga pode demorar, desde o estádio de ovo até à forma adulta, 3 semanas no Verão e cerca de 6 semanas na Primavera e no Outono.

 

QUAIS OS PREJUÍZOS CAUSADOS PELAS PULGAS?

Podem ser agrupados em perdas de sangue, transmissão de outros parasitas e doenças de pele. Em primeiro lugar as infestações brutais de pulgas em raças pequenas ou jovens, podem originar anemia. Em segundo lugar, a presença de pulgas pode estar associada à transmissão de parasitas internos, como é o caso do Dipylidium caninum.Os cães e gatos portadores deste parasita eliminam junto com as fezes “fragmentos” que se assemelham a pequenas “pevides” de cor branca, contendo no seu interior os ovos do parasita. Estes ovos são ingeridos pelas larvas das pulgas e, quando as pulgas adultas são mastigadas e engolidas pelos animais, os parasitas completam o seu desenvolvimento até ao estado adulto no intestino. É por isso que é fundamental que o tratamento contra as pulgas seja feito em simultâneo com a desparasitação interna (contra as “lombrigas”, “ténias”…) dos cães e gatos.

Por último, as pulgas provocam doenças de pele, tais como a alergia à picada da pulga, uma das mais frequentes alergias cutâneas, e que se deve à reacção alérgica à saliva da pulga quando esta pica o animal. Os animais afectados coçam-se muito, originando irritação da pele, principalmente na base da cauda, no abdómen e zona interior dos membros.

 

COMO SE DIAGNOSTICA UMA INFESTAÇÃO POR PULGAS?

infestacao_pulgasNem sempre é fácil reconhecer-se a presença de pulgas nos nossos animais de companhia porque as pulgas são pequenas, com movimentos rápidos, principalmente em cães e gatos de pêlo comprido. O primeiro sinal de infestação manifesta-se quando os animais se começam a coçar e a morder constantemente em profunda agitação, com lesões avermelhadas na pele. Afastando o pêlo, podemos observar as pulgas e as suas fezes.

 

 

 

 

COMO É QUE O MEU ANIMAL PODE TER PULGAS SE NÃO SAI À RUA?

Nós, os donos dos animais, saímos à rua, e quando regressamos a casa podemos trazer agar-rados à roupa, sapatos, etc., ovos de pulgas que, em nossa casa, encontram as condições ideais para se desenvolverem e um hospedeiro disponível.

Por outro lado, quando introduzimos um animal em casa pela primeira vez, se este trouxe pul-gas com ele, o ciclo vai-se perpetuando ao longo do tempo.

 

COMO É QUE O MEU ANIMAL TEM PULGAS SE NÃO VEJO PULGAS NA CASA E NÃO SINTO PICADAS?

As pulgas preferem o sangue dos cães e dos gatos por ser mais quente. Na presença deles não picam o Ser Humano. Muitas pessoas não são sequer alérgicas à saliva da pulga pelo que não manifes¬tam prurido (comichão).

Como já foi dito, por cada pulga adulta chega a haver até 2000 ovos no ambiente (invisíveis a olho nu) que, posteriormente, se transformam em larvas e pupas que procuram lugares de difícil acesso e higienização.

 

COMO COMBATER AS PULGAS?

O seu Médico veterinário assistente poderá recomendar qual a actuação mais correcta para cada caso. A maioria dos tratamentos anti-pulgas aplicados aos animais diminui o número de pulgas, mas esses tratamentos geralmente não são suficientes para as eliminar todas porque muitas ficam no meio ambiente. Assim, deve-se actuar não só ao nível dos animais, como também ao nível do meio ambiente, ou seja, deve-se tratar não só o animal, mas também as suas camas, sofás, alcatifas, soalhos…com produtos adequados para esse fim, normalmente sob a forma de sprays.

As pulgas adquirem resistência aos vários produtos usados: alguns produtos que eram muito eficazes há uns anos atrás, podem não ser tão eficazes actualmente. Nesse sentido a rotação dos produtos usados é recomendada em determinadas situações.

Actualmente estão disponíveis no nosso mercado excelentes produtos no combate às pulgas, com um efeito residual prolongado, boa eficácia e ausência de efeitos adversos podendo, na sua maioria, ser usados nas fêmeas grávidas e nos animais muito jovens. Podem ser utilizados na forma de coleiras insecticidas, shampôs, comprimidos, sprays e fórmulas concentradas de dispersão cutânea, as conhecidas pipetas (método “spot on”, ou seja, através da colocação na pele do cachaço do cão ou gato de algumas gotas de uma solução muito concentrada, que se difunde então por todo o corpo do animal e permite matar todas as pulgas em poucas horas). Por mais eficaz que um produto seja a controlar as pulgas, deve ser aplicado correctamente e renovada a sua aplicação periodicamente, de acordo com as indicações do produto.

Em relação ao meio ambiente, devem ser usados produtos específicos para este fim, que quando aplicados nas camas dos cães, nos automóveis onde anda o animal, no interior das casas (alcatifas, sofás, soalhos, almofadas…), matam as pulgas ou bloqueiam o seu crescimento. Para além disso, os cuidados de higiene devem ser permanentes (aspiração regular das habitações e dos automóveis, tendo o cuidado de mudar regularmente o filtro do aspirador, que pode tornar-se um verdadeiro “ninho de pulgas”, lavar periodicamente as camas dos animais, as escovas, etc.).

Existem também produtos que, quando aplicados nos animais (comprimidos mensais no caso dos cães e injecções dadas de 6 em 6 meses no caso dos gatos), ajudam a diminuir a quantidade de pulgas presentes no ambiente dos animais e, consequentemente, nos mesmos. São os chamados reguladores de crescimento, que funcionam muito bem em combinação com os produtos descritos anteriormente.

Contacte o seu Médico-Veterinário assistente, para que ele possa avaliar a situação particular do seu animal e fazer um acompanhamento eficaz no combate às pulgas do mesmo.